
“Foi a minha primeira WTR de muitas. Eu já vinha de um semestre de muitas corridas no asfalto, meia maratona, algumas outras, e eu já lidava com o confronto da mente durante a prova. Durante uma meia maratona existia um confronto mental que não chega perto do confronto mental que você enfrenta quando corre uma montanha. Porque, na montanha, a sensação que dá quando você está no alto, no meio do caminho da subida, é que eu não posso parar. Se eu parar, eu vou ter que descer tudo. Se eu não aguentar mais, ninguém vai me buscar.
Então ela me trouxe uma intimidade que eu não tinha ganhado com a corrida, que é a intimidade com o desespero. Você acolhe o desespero que a mente cria.
Então, por um acaso, ontem eu subi a que são mil e trezentos metros de altimetria com dezoito quilômetros ida e volta. Que foi exatamente mais ou menos o trajeto do WTR. Isso pra comprovar o quanto eu quero estar perto desse desafio que é você colocar o corpo numa situação extrema e você lidar com aquilo de uma forma consciente.
Então a corrida de trilha te eleva mais do que a corrida no asfalto. Nesse sentido. Sem contar o contato com a natureza, sem contar as pessoas se ajudando o tempo inteiro, que é um outro clima, né? Não tem o clima de competição que tem na maratona de asfalto. Que também é muito interessante, mas são escolhas.
Então assim, WTR, contem comigo. Eu vou tentar fazer não só a Vale das Videiras como Campos do Jordão, ano que vem Arraial do Cabo. Então contem comigo porque foi um prazer inenarrável.”
